Parágrafo sobre o livro "Filosofia da caixa preta" (cap. 4, 5 e 6)
Nos capítulos 4, 5 e 6 da obra "Filosofia da caixa preta", Flusser discorre sobre o gesto de fotografar, a fotografia em si e sua distribuição. Sendo assim, um dos pontos abordados no livro que se destaca é a forma como o autor compara o gesto de fotografar ao ato de caçar, no qual o fotógrafo precisa "caçar" o ambiente ideal, momento e composição que melhor atendem às suas intenções políticas, sociais e econômicas, implícitas ou explícitas, para determinada imagem. Nesse sentido, uma aspecto, por vezes subestimado, mas relevante e intrínseco ao assunto é que ninguém (ninguém mesmo) é ingênuo ao tirar uma foto, pois sempre há um propósito por trás desta. Contudo, é interessante reparar também como, na sociedade atual, apesar das possibilidades de caça do fotógrafo serem muitas, é comum encontrar imagens que seguem um mesmo tipo, principalmente nas redes sociais (selfies, imagens de monumentos..). Desse modo, percebe-se, na modernidade, uma padronização a qual, embora possa servir à funções legítimas (fotos 3x4 para documentos, por exemplo), acaba por gerar uma subordinação humana aos aparelhos - falta saber ou querer desvendar a caixa preta. Por fim, a própria falta de críticas aos aparelhos corrobora para uma "animação cultural" e favorece uma sociedade com capacidades de decodificação e julgamento reduzidas.
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