Parágrafo sobre o livro "Filosofia da caixa preta" (cap. 7, 8 e 9)

     Na última parte do livro "Filosofia da caixa preta" de Vilém Flusser, o autor aborda a recepção da fotografia, o universo fotográfico e a relevância de uma filosofia da fotografia. Nesse sentido, uma das primeiras ideias a se destacar é a do analfabetismo fotográfico, o qual está relacionado à alta popularidade e facilidade na produção de fotografias sem, necessariamente, existir um avanço proporcional no que se refere à capacidade de decodificação destas a da própria "caixa preta". Tal situação, somada à degradação do senso crítico, favorece uma conjuntura na qual o homem que tem um aparelho fotográfico não o possui, mas é possuído por ele, revelando, assim, um vício em fotografias muito característico na atualidade (mais do que na época em que a obra em questão foi redigida). Para exemplificar: obsessão em popularidade nas mídias digitais através de fotos. Ademais, outro tópico interessante desenvolvido por Flusser é o "determinismo" intrínseco ao brinquedo chamado aparelho fotográfico. Isso significa que, na verdade, o programa deste aparelho possui uma quantidade grande, mas limitada de possibilidades que, ao acaso, necessariamente acontecerão. De grosso modo, pode-se entender que o ser humano está refém do universo que rege o aparelho criado por ele próprio. Por fim, para sair desse jogo de manipulação, o homem precisa de uma filosofia da fotografia a qual possibilite sua reflexão sobre a liberdade e, consequentemente, emancipação de um contexto dominado por aparelhos.

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