Parágrafo sobre "Teoria do Não Objeto"

 Em sua Teoria do Não-Objeto", Ferreira Gullar busca desenvolver e esclarecer a ideia do não-objeto, embora não tanto definindo como este deve ser, mas sim o que ele não seria. Neste sentido, o não-objeto não é o extremo oposto de um objeto (o qual configura uma coisa material opaca ou até mesmo obra representativa), mas é, em si, uma obra presentativa. E, por ser interessante em si mesma, é capaz de envolver o espectador para além da contemplação, fazendo-o tomar uma ação em relação a si (o não-objeto). Contudo, tal ação é diferente daquela realizada quanto aos objetos, porque, em tal situação, ou ela é permeada de utilitarismo ou não ultrapassa o estágio da contemplação. Assim, diferentemente do contexto exposto, o não-objeto não é (simplesmente) uma materialidade do mundo físico, mas uma experiência sensorial ampla qual envolve o espectador. Este contempla o não-objeto, manipula-o e, novamente, após explorar suas estruturas e im(possibilidades) é seduzido a contemplá-lo com novo olhar, por já "não ser mais" o mesmo não-objeto de antes




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